domingo, 23 de dezembro de 2007

Que diferença faz o calendário?

Por que as pessoas, de um mode geral, só se desejam coisas boas nessa época do ano? Por que, durante o resto do tempo, passamos competindo tanto, brigando tanto? Por que, de janeiro a novembro, tendemos à mesquinhez, ao egoísmo, à indiferença, ao ceticismo, muito mais do que no final do ano? Será que vivemos numa tentativa cíclica e infinita, a cada fim de ano, de nos redimirmos por tudo que fizemos de ruim (ou que deixamos de fazer de bom) durante o ano que passou? Será que somos tão espertos quanto camundongos correndo numa roda que gira e não leva a lugar algum? Eu, particularmente, não gosto de natal. Não me diz absolutamente nada, a não ser por demonstrar a incrível habilidade humana para a hipocrisia. Você recebe votos de amor e prosperidade de gente que mal lhe cumprimenta durante o ano inteiro. Eu sei, não é má-fé das pessoas. Há, de fato, uma tentativa de espalhar coisas boas. Mas me soa tão vazio e burocrático. Não me parece verdadeiro, por melhor que seja a intenção. Quer ver só? Se eu resolvo mandar um email pros amigos, dizendo coisas bonitas e desejos sinceros, em julho ou agosto por exemplo, vão me achar louca, sem noção; vão achar que estou sob efeito de entorpecentes ou que me falta trabalho, algo assim. Pensando nisso, sinto um certo desconforto quando leio mensagens natalinas. Eu, honestamente, desejo felicidade para as pessoas durante os 365 dias do ano. A mudança no calendário não faz a mínima diferença. Então, meus caros, se eu pareço um pouco cética nesta época do ano, não é porque não desejo tudo de bom a todos, mas apenas porque meus votos de paz e amor não são sazonais. Mas, se ainda assim, eu tiver que acompanhar a manada (o que me poupa de dar muita explicação, isso é verdade), tudo bem, faço de conta que, em dezembro, meus pensamentos são mais elevados do que nos onze meses anteriores.
(Prevendo possíveis comentários à minha visão: sim, pode ser em razão da ausência de crença religiosa; sim, pode ser pelo espírito rebelde; sim, pode ser porque ando cansada de usar máscaras.)

2 comentários:

André Vasques disse...

Pois é...pois é...
A diferença é que pelo menos uma época do ano nós paramos de representar que somos duros, competitivos e frios e permitimos sermos nós mesmos, frágeis e dizendo o quando precisamos uns dos outros! Esse é o mágico espirito de Natal. No resto do ano, a gente se esconde atrás de uma máscara de mau, mas no fundo, todos queremos colo, amor, carinho e afeto. Basta afagar que você verá o quanto as pessoas são maravilhosas! UM beijo!

Marcelo disse...

Isso do Natal ocorre pelo mesmo motivo que as pessoas vão à Igreja todo o domingo de manhã...e durante a semana fazem as mesmas coisas reprováveis contra as quais se confessam perante o padre...As pessoas precisam de símbolos para se suportarem...algumas, claro...outras, mais iluminadas, vêem nesses símbolos pura hipocrisia...Ficha 1 pra mim! bjos