quinta-feira, 13 de março de 2008

(Pra Adri)

A Adri foi lá em casa ontem. Fazia tempo que não nos víamos - o que não significa que havíamos perdido contato. Prescindimos de mapas ou trilhas de pão. Retomamos o assunto (e o caminho) sempre com a mesma facilidade. Com a naturalidade de criança que desenha o sol quando lhe dão papel e lápis de cor. De presente, ganhei dois livros que eu queria muito ler, sem mesmo saber que existiam. Nem o adiantado da hora segurou minha gana. Ela foi embora e eu já lia as primeiras páginas dos Contos de Vista, da Elisa Lucinda. "Lê Alfredo é Gisele". Ok, Adri, li Alfredo é Gisele. E me diverti como você previu. Mas o que pegou mesmo foi a Carta à D., do André Gorz. Da leitura da orelha, já me caiu uma lágrima. O teórico social de esquerda que amou mais que a vida. A delicadeza do paradoxo e a intensidade do sentimento que eu sei bem que existe e pode ser lindo justamente porque é desmedido. Eu te disse ontem que acredito nisso agora. Mas nem precisaria dizer, você me leu bem. Na verdade, nem lembrava que seu marcador de páginas tinha essa precisão. Ri sozinha. Há coisas que são como andar de bicicleta.

3 comentários:

Adriana disse...

ô criatura, era pra eu chorar??
Essa precisão não é de hoje, só de aproximadamente 24 anos... Há coisas nessa vida que nunca mudam, podem desviar-se do rumo por algum tempo, mas seguem o curso normalmente, como sempre deveria ter sido.
Beijos,
Adri

Luciana F. disse...

bah, 24 anos....vendo assim o numero escrito parece mais tempo ainda....rsrsrsrr...bjosssssssss!

Germano V. Xavier disse...

Adorei o relato, Lu!
Ver você cada dia mais apaixonada pela literatura é lindo...

Teadoro...
Germano