quarta-feira, 19 de março de 2008

Oficina de Crônica

Ontem o Carpinejar devolveu o segundo "tema de casa" corrigido. Tirei "A" (rsrsrs). É engraçado. Achei mesmo que tinha escrito uma porcaria. Mas não. Segundo o mestre, foi bom. O texto que entreguei ontem, esse sim achei bom. Só falta na aula que vem ele devolver dizendo que estava terrível. Bom, segue abaixo o texto 2, com as anotações do Fabrício e já com algumas modificações. Enjoy it.
"Você foi jantar com seu namorado em um restaurante chiquérrimo. Francês. Conta de quatrocentos e cinqüenta reais. Bom, normalmente vale a pena. É provável que vocês tenham tido um garçom para atender exclusivamente sua mesa com toda a simpatia do mundo, o que fez do seu jantar uma experiência quase transcendental. Não foi bem assim? Ele nem lhe dirigiu o olhar? E quando o fez, foi para desdenhar sua dúvida sobre a melhor safra dos bordeaux disponíveis como se fosse a pergunta mais absurda do mundo e houvesse, na carta, algum vinho de caráter duvidoso. Sei. E não teve paciência de lhe explicar o motivo pelo qual o chef não permite que peçam foie gras e confit de canard, e ainda lhe lançou um olhar de piedade pela ignorância? Bom, restaurante francês, sabe como é, dê um desconto. Não se lamente tanto. Lembre-se que em poucos lugares come-se tão bem como nesse restaurante. O pãozinho do couvert estava duro e com gosto de fermento? E o garçom disse-lhe, com olhos ferinos, que o pãozinho era elaborado conforme a receita centenária da família do chef? Mas você não foi a um restaurante desses pelo pãozinho, não é? Creio que somente a sobremesa já tenha valido a pena. Sobremesas francesas são o que há. O que? Você esperou quarenta e cinco minutos para que lhe trouxessem um singelo crème brulée? Por que você não chamou o garçom? Chamou três vezes e ele fez que não era com ele. Entendi. Bom, imagino, ao menos, que o ambiente era bonito e agradável. Sempre o são esses franceses. Você mal enxergava seu namorado do outro lado da mesa, tamanha a escuridão? É provável que o garçom tenha esquecido de acender a vela na mesa. Só pode. Ah, você acha que ele derramou vinho em seu vestido de propósito, apenas porque você reclamou de uma coisinha ou outra durante o jantar? Pode ser. Sabe como são vingativos esses tipos. Ainda mais nos franceses. Bom, depois disso tudo, certamente não pagaram os dez por cento. Eu não pagaria. E olhe que eu adoro os franceses! Ah, pagaram, é? “Pagamos, sim, claro! Imagine o que o garçom iria pensar de mim depois de tudo que eu lhe fiz passar com as minhas perguntas impertinentes?!”. "
COMENTÁRIOS DA CORREÇÃO: "Bem apanhado. Desmistificação com graça e ironia. Cuidar para não responder demais."

3 comentários:

Adriana disse...

;)
bendito Valdir...

Luciana F. disse...

hehehe...pensei num valdir às avessas...imagina nós no francês da minha crônica "moço, tira uma foto nossa?"...bjosss

Germano V. Xavier disse...

Interessante tua construção, Lu.
Você se veste de outro e imagina o caso. Achei pertinentes os comentário so Poeta.

Você vai e vai longe.
Acredite.

Abraços de sempre e sempre...
Germano

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