quinta-feira, 27 de março de 2008

Oficina de crônica: a missão

Pois então foi justamente como eu temia. Tirei "C". Eu até achava que estava bom, mas depois da crítica do professor, vi mesmo que estava uma merda (rsrsrs). O texto n. 3 era pra ser um obituário a partir de uma entrevista com um colega da oficina, realizada em aula. Minha musa foi a colega Clarice, cuja história serviu de inspiração. (A Clarice é o máximo, preciso registrar) Evidentemente que a cabeça andou um pouco mais além da realidade, mas, em suma, na minha visão, assim ela teria vivido. As correções eu acrescento outra hora, pois não estou com elas aqui. Mas adianto que o mestre não teve piedade! (vamos ver o que será do texto n. 4...agora é tudo uma incógnita)
"Clarice Muller, nascida em Porto Alegre, primogênita de três irmãs, viveu em busca da desobediência. Nem sempre, contudo, tinha consciência das bandeiras que carregava. E nem precisava, pois achava bonito ser anarquista. Formou-se em Direito porque não sabia o que fazer da vida. Quando, de repente, descobriu o que, de fato, não queria fazer, decidiu que viveria seus sonhos culturais à margem da caretice do sistema educacional formal. Chegou bem perto do que sempre desejou. Além não foi, pois sempre preferiu viver na iminência das coisas. Clarice Muller era assim. Do que fracassou, pois também buscava equívocos, queimou todos os registros. Atuou nos palcos das grandes capitais, representando divas, santas e prostitutas. Publicou suas impressões em prosa. Escreveu a vida alheia para ser filmada em média-metragem por um cineasta canalha. Viveu em busca de paixões avassaladoras. Descobriu a segurança no contracheque de funcionária pública federal. Burocratizou o espírito selvagem. Clarice Muller revolucionava-se assim. Engana-se, contudo, quem pensa que o Poder Judiciário sentenciou de morte sua arte. Passou a atuar nos bastidores do teatro-mentira da justiça. Punha os depoimentos de pedreiros em forma de soneto, os de empregadas domésticas, em hai-kais. No fim da vida, cantava jingles de campanhas publicitárias da década de oitenta nas audiências trabalhistas. Seus colegas creditavam sua alegria à combinação de cafeína, nicotina e à vontade de viver intensamente. Por ordem médicas, porém, abandonara há meses os cigarros e os cafezinhos de corredor. Clarice Muller faleceu ao volante de seu Mustang 1968, durante uma crise de narcolepsia, após sair de consulta médica, onde foi-lhe proibido ingerir Coca-cola."
OK, AS CORREÇÕES, COMENTÁRIOS, CHICOTADAS, ETC (rsrsrsr): "FRASES TENDENCIOSAS. REVELA A PRÓPRIA OPINIÃO TIPO ARTIGO. ADJETIVADO. SOLENE. COMPARAÇÕES GRANDILOQÜENTES. FRASES SÃO PARECIDAS: EFEITO IGUAL, ANULA O PRÓPRIO HUMOR. CRÔNICA É ALTO E BAIXO. TOMADA DE ADMIRAÇÃO: ESQUECEU DO MUNDANO, EXAGEROU O EFEITO, CONCLUINDO ANTES DE APRESENTAR, MISTIFICANDO ANTES DE HUMANIZAR."

7 comentários:

Maria Valéria de Lima Schneider disse...

Concordo contigo, Luciana. A Clarice é o máximo.
Ainda bem que era só de mentirinha, o obituário.
Beijos.

Luciana F. disse...

oi valéria! que bom vê-la por aqui! volte sempre! Bjoss

Marcelo disse...

Adorei esta frase: "Escreveu a vida alheia para ser filmada em média-metragem por um cineasta canalha." Sincera e modestamente, achei o texto ótimo! Muito melhor, inclusive, de coisas que vejo teu professor publicar. Parabéns!

Anônimo disse...

Nossa, virou uma oficina online!
Obrigado Luciana, por todo o carinho e dedicação ao curso. Está levando a sério; imaginação com disciplina é confiança. Sobre o comentário do Marcelo, desnecessário fazer comparações infantis entre os escritores. Literatura é escolha. beijos Fabro

Luciana F. disse...

Nossa, visita do professor! Que honra! (rsrsrs)Óbvio que estou levando a sério. Mas disciplina justamente o que me falta. Aos poucos me oriento... Os comentadores são meus escudeiros passionais. Claro que literatura é escolha, eles sabem disso - mas gostam de polemizar (por isso não vivo sem eles!!!)
Bjosss!!

Anônimo disse...

na crítica, sempre presente. é o terceiro texto da sua oficina que a lu posta. deveria ter aparecido para agradecer, quando ela disse que vc era poeta até na correção.
gostamos de vc mas amamos a lu.sem comparações.
beijinhos
k

Germano V. Xavier disse...

Lu, vou ser sincero. E quem sou eu...
Gostei e não gostei dessa terceira crônica. Algumas passagens são óbvias, outras instigam.

Eu daria um B pra você. Mas a segunda foi muito melhor mesmo.

Lendo e aprendendo contigo.

Mais braços que te abraçam...

Germano