domingo, 21 de outubro de 2007

Compensações

A compensação é um mecanismo de defesa inconsciente. Na maioria das vezes, ao menos. Gostamos de pensar que nos auto-determinamos e que nossos atos são fruto de nossas escolhas conscientes. Mas nem sempre é assim. A compensação é um exemplo. Compensamos lacunas com exageros. Compensamos bloqueios com taças de vinho. Tristeza com chocolate. Medos com cinismo. Fraquezas com excesso de frieza. Confusão mental com arrogância. Saudade com música boa. Enfim, nosso cérebro funciona para fugir da dor, sempre. E, para isso, usa a compensação. Não com intuito de enganar-nos, apenas para nos proteger. É o mecanismo natural de que dispõe. Em verdade, temos plena capacidade de enfrentar diretamente as faltas que desencadeiam essa busca natural pelo equilíbrio. Podemos viver sem compensar. Basta ter forças para agüentar as deficiências (reais ou imaginárias) que a nós se apresentam. Ninguém aqui está dizendo que é fácil. Nossa tendência é de direcionar automaticamente as frustrações para foco diverso da ação ou do objeto inalcançado. Quando nos deparamos com nosso próprio fracasso ou com nossas carências, atravessamos a rua. E transferimos a atenção para a outra calçada. Evidentemente, quando a transferência gera frutos positivos – a arte é um bom exemplo -, a fuga momentânea da incompetência pode ser relevada. Claro que, cedo ou tarde, o fantasma voltará a assombrar. Mas a vida é agora. Lutemos, portanto.

2 comentários:

André Vasques disse...

Genial!!!
Nesse tipo de reflexão super inteligente não convém deixar de lado a culpa, essa praga inventada pela cultura judaico-cristã!
Bjs.
André.

Anônimo disse...

UAU!!LUCIANA...DEFINITIVAMENTE VC EH UMA CRIATURA ESPECIAL E SURPREENDENTE..