domingo, 23 de setembro de 2007

Culpa

Estava lendo uma reportagem sobre a culpa que assola o mundo contemporâneo, etc, etc, etc.
Objetivamente falando, o sentimento de culpa é uma coisa desgraçada, com o perdão da falta de sensibilidade literária. Sim, porque não fosse a culpa, a vida seria uma maravilha. Freud dizia que a culpa é conseqüência da repressão da agressão, no sentido de que a cada não atendimento da satisfação do instinto básico do homem-animal em relação ao ambiente que o cerca, mais agressivo se torna seu superego e mais violentas as tendências deste contra o ego.
Em outras palavras, siginifica dizer que ao reprimir minha ação primeira derivada do instito básico, estou represando em mim a frustração da não satisfação e meu sistema psíquico me repreende por isso, produzindo a tal da culpa.
Por isso, no mundo civilizado, o sentimento de culpa é inerente à vida de todos, não havendo escapatória.
Mas, por favor, larguem suas lâminas e, antes de perfurarem longitudinalmente seus pulsos (transversalmente não funciona), parem e pensem.
Se estamos condenados a sentir culpa no decorrer de toda nossa esxistência, e em grau crescente, na medida em que nossa capacidade analítica aumenta com a idade (salvo exceções para as quais não interessa uma linha sequer deste texto) , temos que descobrir alguma maneira de evitar que o maldito sentimento não tenha efeito imobilizador.
Uma tentativa poderia ser externar a culpa, como se fosse possível exorcizá-la pelo ato de colocá-la no mundo. Melhor dizendo, extraí-la a fórceps da nossa cabeça e olhá-la de frente, tal como o toureiro encara o touro. A diferença é que ela não pode nos derrubar, pois é nossa própria construção doentia. E se nos damos conta disso, temos de desconstruí-la para que, ao chegar no marco zero, possamos rir de nós mesmos.
Sei bem que falar é fácil e que, na prática, a coisa envolve detalhes tenebrosos.
Mas, lanço um desafio a todos que estiverem dispostos a neutralizar a besta: comecem inventariando suas culpas, todas elas e vejam o quão doentes estão as nossas cabeças.
Ok, eu vou primeiro:
1 - culpa por não dizer o que sinto;
2 - culpa por comer chocolate;
3 - culpa por não cuidar da minha saúde como deveria;
4 - culpa por não ser o que esperam de mim;
5 - culpa por ser exatamete o que esperam de mim;
6 - culpa por não ser fiel aos meus sentimentos;
7 - culpa por não dar atenção a todas as pessoas que merecem minha atenção;
8 - culpa por não ser melhor no que faço, sabendo que sou capaz para isso;
9 - culpa por causar sofrimento às pessoas;
10 - culpa por querer fazer coisas proibidas;
11 - culpa por ter feito coisas proibidas e ter gostado;
12 - culpa por ver passar o tempo e não ter estado em todos os lugares ao mesmo tempo;
13 - culpa por chutar a bola e no meio do caminho não querer correr atrás;
Ok. Que loucura. Mas, como eu sempre digo, idéia é pra sair da cabeça ir pro mundo.
Tenho que trabalhar essas 13, não necessariamente nessa ordem.
Já estou me sentindo culpada da preguiça...

4 comentários:

Luciana F. disse...

Li este post (eu despejo e depois venho ler o que escrevi) e pensei no dudu me dizendo hoje: para com essa palhaçada e faz o que tu tem que fazer, porra (referindo-se ao estilo luciana de entender as coisas)....e do biff que me fodeu a cabeça: tá, então, who am I, pô????????????????

Rafael G disse...

Querida! Não foi essa a intenção. Desculpa! Eu quis pegar pesado só pra te provocar!
Beijos
Biff

Luciana F. disse...

BIFF, DARLING, EU SEI!!!!TSÓ TÔ BRINCANDO!!!!!HEHEHE
LU

Rafael G disse...

ahhhh bom!
Bjs!
Biff!